A história da Tectoy

Daniel Atilio

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Bauru
Uma das pioneiras dos games no Brasil, conheça a história da Tectoy.

O Início
Na década de 80, a referência em brinquedos no Brasil era a Estrela. Daniel Dazcal, era um argentino vice-presidente da Sharp do Brasil, ele decidiu sair da Sharp para ser consultor na área de eletrônicos.

Algumas empresas tentaram se aproximar dele, inclusive a Estrela, mas ele tinha outro plano, ele queria montar uma empresa que se tornasse referência nacional com brinquedos eletrônicos, e assim monta a Tectoy.


Reportagem sobre a Tectoy, com Daniel Dazcal no centro segurando o Sonic
Em 1987, a Rede Globo começa a transmissão de um desenho chamado Zillion. E em 1988, a Tectoy lança no Brasil a Pistola Zillion inspirada no desenho, sendo fruto de uma parceria com a SEGA. Inclusive foi o primeiro sucesso da empresa no país.

Esse sucesso abriu as portas para novas parcerias com a SEGA.

Parceria com a SEGA nos consoles com Master System e Mega Drive
No mercado de consoles de vídeo games, a Gradiente já tinha lançado aqui na região uma versão do Atari 2600 pela Polyvox. A SEGA queria lançar seus consoles aqui no país, mas ela queria uma empresa que não tivesse históricos com consoles. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, quem distribuía na época o Master System, era a Tonka de brinquedos.

Pelo fato da Tectoy ter lançado a Zillion e ter sido um sucesso e também o foco da produção em brinquedos, a Tectoy e a SEGA firmam parcerias, e o Master System chega ao mercado em 1989.


Pistola Zillion
O console fez tanto sucesso, que a empresa passou dos 66 milhões de dólares de faturamento, e isso tudo em 1989. Estima-se que metade desse valor veio do Master System. A Tectoy tinha uma estratégia de investir agressivamente em marketing, assim do mês de setembro até o Natal foram feitos vários comerciais e programas falando sobre o Master System.

Esse investimento custou cerca de 2 milhões de dólares, até então no Brasil era algo nunca imaginado, ainda mais por uma empresa de brinquedos.


Um dos modelos do Master System produzidos pela Tectoy
O marketing consistia em uma central de atendimento Hot Line, que você podia ligar e pedir dicas de como passar determinada parte do jogo. Também tinha um clube de sócios (Master Clube), e um programa na Rede Globo (Master Dicas), que passava nos intervalos da Sessão Aventura e Vídeo Game Show (dentro do Vídeo Show), um dos apresentadores era Miguel Falabella.


Miguel Falabella
Após 1 ano, a Tectoy traz ao mercado o Mega Drive, que assim como o Master, faz um sucesso estrondoso no país. Mas a Tectoy tinha um receio de trazer o console com apenas 1 ano de diferença do Master, e mais uma vez entra o marketing inteligente da empresa, demonstrando que os dois vídeo games eram bons, mas o Mega tinha mais recursos, encantando as crianças.

Assim como a SEGA lançava periféricos para o console, como o SEGA CD e o SEGA 32X, a Tectoy também trouxe eles para o mercado.


Mega Drive produzido pela Tectoy
Em 1991, ela lança no mercado o Game Gear, portátil colorido da SEGA, mas esse apesar de ser conhecido por saudosistas, não fez tanto sucesso quanto o Master e o Mega.

A Tectoy começa a ter uma rivalidade em 1993 com a Playtronic (parceria entre Gradiente e Estrela), que começa a fabricar consoles da Nintendo aqui no Brasil. Essa disputa é lembrada até os dias de hoje, claro que para mim, o Mega Drive é vencedor rs…

Apesar da disputa entre Mega Drive e Super Nintendo, o NES (ou Nintendinho), não emplacou no mercado nacional, onde aqui até os dias de hoje, o Master é o queridinho da galera.


Stefano Arnhold, Ayrton Senna e o Sr Yagi, Diretor da Área Internacional da SEGA
Em 1994, Daniel Dazcal faleceu, e Stefano Arnhold o substituiu.

Desenvolvimento e Adaptação de jogos
Assim como é explicado no artigo A evolução dos jogos brasileiros nos consoles, a Tectoy buscava expandir e atrair mais consumidores ao mercado de consoles.

Portanto, é necessário o investimento na adaptação de alguns games, como traduções (Phantasy Star), criações originais (Castelo Rá-Tim-Bum) e até mesmo a substituição de sprites de alguns games, para ficar fácil adaptável ao nosso mercado. Um caso assim que ficou famoso foi com a série Wonder Boy, que aqui foi lançada como Turma da Mônica.


Castelo Rá-Tim-Bum para Master System
Um detalhe interessante foi no desenvolvimento do Street Fighter 2 para Master System, onde a Tectoy desenvolveu toda a base do game, convidou o pessoal da Capcom para assistir a demonstração, falando que eles queriam lançar um port para o Mega Drive, e deram um controle do Mega para eles testarem o game. O pessoal da Capcom vendo a qualidade inferior ao Street Fighter já lançado, disseram que precisavam melhorar. Então o pessoal da Tectoy retirou o Master System que estava escondido e mostraram que o game estava rodando no hardware do Master, e isso fez com que a Capcom aprovasse o lançamento do game, pois viu que a Tectoy havia feito um excelente trabalho na conversão.

Alguns jogos que podemos lembrar que foram feitos ou adaptados pela Tectoy:

  • Série Phantasy Star (Master System e Mega Drive) – Textos traduzidos para português brasileiro
  • YuYu Hakusho Sunset Fighters (Mega Drive) – Textos traduzidos para o português brasileiro
  • Série Wonder Boy (Master System e Mega Drive) – Substituição dos sprites para jogos da Turma da Mônica
  • Asterix (Master System) – Substituição dos sprites para o jogo TV Colosso
  • Kung Fu Kid, Astro Warrior e Psycho Fox (Master System) – Substituição dos sprites para o personagem Sapo Xulé
  • Ghost House (Master System) – Substituição dos sprites para o personagem Chapolin
  • As Férias Frustradas do Pica-Pau (Master System e Mega Drive) – Criação do jogo
  • Sitío do Pica-Pau Amarelo (Master System) – Criação do jogo
  • Castelo Rá-Tim-Bum (Master System) – Criação do jogo
  • Show do Milhão (Mega Drive) – Criação do jogo
  • Duke Nukem 3D (Mega Drive)- Criação do port
  • Street Fighter 2 (Master System) – Criação do port
Surgem novos consoles, SEGA Saturn e Dreamcast… e também a Crise
Em 1995 a Tectoy lança o SEGA Saturn aqui no Brasil, e apesar do início conturbado nos Estados Unidos, aqui ele até teve uma boa aceitação, vendendo razoavelmente bem, e tendo destaque em várias revistas da época.


Propaganda do Saturn
Mas começam a surgir alguns problemas, o primeiro deles era o avanço da pirataria no Brasil, sendo que na geração do Saturn / Playstation, o destravamento e os famosos CDs piratas gravados se popularizaram.

A partir de 1997 a Tectoy entra em uma grande crise, que começou no sudeste asiático que atingiu vários mercados emergentes (como o brasileiro). Com essa crise, o governo aumentou a taxa de juros, logo os investimentos caíram, e os dólares antes investidos no mercado brasileiro, foram sumindo, e isso foi quebrando o país.

Nessa época, empresas começaram a fechar, como a Mappin, e assim começaram os calotes na Tectoy. Logo os consumidores também tinham menos poder de compra, e com a pirataria em alta, começou-se um momento turbulento na empresa.

Não foi tão ruim quanto a inflação dos anos 1980, porém essa crise balançou o mercado, e afetou muitas empresas de brinquedos e eletrônicos. No mesmo ano de 1997, a Tectoy entrou em Concordata Preventiva, negociou suas dívidas, simplificou sua cadeia de produção, cortou custos e diminuiu o quadro de funcionários (quase 90%).

Após um tempo, a empresa lança em 1999, o Dreamcast, custando cerca de R$ 900,00. Mesmo com um preço elevado, devido ao marketing e ao sucesso da SEGA no Brasil, o console consegue trazer um retorno para a Tectoy.


Propaganda do Dreamcast
Novos produtos e licenciamentos
A concordata foi encerrada em Outubro de 2000. E como todos sabemos, a SEGA encerrou a produção de consoles, isso fez com que a Tectoy tivesse que desbravar outros mercados.

Por um tempo, a empresa ainda lançava o Master System e o Mega Drive (inclusive com bundle do Show do Milhão), mas a empresa começa a lucrar com outros produtos eletrônicos, como players de DVD e karaokês.


Bundle do Mega Drive com Show do Milhão
Em 2009 eles lançam Zeebo, um console pensado em países emergentes, que seria mais barato que os consoles potentes do mercado, e mais acessível para a população. Porém na prática não deu muito certo.


Console Zeebo
Desde então, a Tectoy investiu em licenciamentos e lançou por exemplo, tablets da Disney e Galinha Pintadinha, que lhe renderam um belo lucro. Ela também abriu o leque de eletrônicos e lançou até mesmo babás eletrônicas.

Atualmente
Além dos eletrônicos citados, a Tectoy continuou lançando consoles aqui no Brasil (ports da empresa americana ATGames), como o portátil MD Play.


Portátil MD Play
Mas eis que em Outubro de 2016, eles anunciam o retorno do Mega Drive, com entrada para cartuchos, e inclusive com o relançamento do game Mônica no Castelo do Dragão.

Além disso, a Tectoy começou a lançar oficialmente aqui no Brasil, o Atari 2600.

Tanto o Mega Drive, quanto o Atari possuem jogos na memória.


Propaganda para escolher a caixa do novo Mega Drive
Entrevista no UOL Jogos
Caso você tenha interesse, existe uma entrevista espetacular do UOL Jogos com Stefano Arnhold, contando bastidores da relação da SEGA com a Tectoy. Inclusive com algumas curiosidades como o fato de quase terem feito uma parceria com a Sony (Playstation), e o desenvolvimento do Street Fighter 2 para o Master System.


Linha do tempo
Abaixo alguns pontos interessantes em um resumo da Linha do tempo da Tectoy (envolvendo os games).
1987 – 18 de Setembro tem inicio a Tectoy com Daniel Dazcal, que buscava criar uma empresa jovem que produzisse brinquedos tecnológicos.
1988 – Nesse ano a empresa traz dois produtos ao mercado, a pistola Zillion (em parceria com a SEGA) e o brinquedo Pense Bem.
1989 – A parceria com a SEGA gera outro fruto, e nesse ano chega ao mercado o Master System.
1990 – Após 1 ano do Master System, a empresa traz ao mercado o Mega Drive, que rapidamente se tornou um sucesso comercial.
1991 – Tem inicio a produção do Game Gear, portátil colorido da SEGA.
1992 – A empresa começa a exportar produtos para o Mercosul.
1993 – Atinge 1 milhão de consoles vendidos.
1995 – Lança o Saturn, console de 32 bits da SEGA.
1998 – Apesar da produção de brinquedos, a empresa passa a se dedicar ao ramo principal que são os vídeo games. ALém disso, atinge a marca de 1000 softwares produzidos.
1999 – Lança o Dreamcast, console de 128 bits da SEGA.
2000 – Começa a diversificar a linha de produtos, e traz o primeiro Karaokê com mídia digital ao país.
2001 – Faz uma parceria com o SBT e lança o CD “Qual é a Música” para computadores. A parceria também gera o jogo Show do Milhão para Mega Drive, junto com bundle do console.
2002 – O Master System é relançado com outro visual. Começa a usar a estratégia Built-In, inserindo games nas memórias dos consoles.
2005 – Cria a marca Tectoy Mobile para posterior publicação de games.
2006 – A Tectoy Digital e Tectoy Mobile firmam parcerias com Vivo, Claro e TIM para lançar jogos clássicos nos celulares.
2008 – Faz uma parceria com a Qualcomm, e é anunciado no mercado um novo console focando em países emergentes, o Zeebo.
2009 – Zeebo é lançado oficialmente no país. Trás também ao mercado o portátil MD Play, um Mega Drive de bolso.
2016 – É anunciado que o Mega Drive voltará a ser lançado no mercado brasileiro.
2017 – Faz novas parcerias, e traz ao mercado o relançamento do Mega Drive aceitando cartuchos. Lança também no nosso mercado o Atari 2600 com jogos na memória.

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Fonte: Aperta o X
 

Edu Barros

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Ribeirão Preto
A Tectoy é uma empresa que deve sempre ser lembrada e valorizada no mundo dos games. Suas versões de consoles Master System e Mega Drive são cobiçadas no mundo todo, e também seus jogos exclusivos, em especial a versão de Street Fighter II' para o Master System.

http://blogtectoy.com.br/street-fighter-ii-e-sua-impressionante-versao-nacional-para-o-master-system/

O Zeebo não recebeu muito amor do público, mas ele teve até uma versão de Resident Evil 4. Eu nunca nem vi esse bicho ao vivo, mas acho que o @Schwarzz já jogou nele.
 

Daniel Atilio

Jogador
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Bauru
Muito obrigado @Saci

Realmente @Edu Barros , muitos até hoje tem uma visão ruim da Tectoy, o que é ruim para o mercado como um todo, para você ter noção, publiquei um vídeo de unboxing e teste do novo controle edição de colecionador para Mega Drive, e recebi negativações no Youtube, até agora não sei se é pelo fato de ser Tectoy, ou se foi pelo conteúdo mesmo rs...

Sem contar alguns comentários negativos no vídeo também, segue abaixo.

 
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Edu Barros

Viciado
PXB Gold
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Ribeirão Preto
Muito obrigado @Saci

Realmente @Edu Barros , muitos até hoje tem uma visão ruim da Tectoy, o que é ruim para o mercado como um todo, para você ter noção, publiquei um vídeo de unboxing e teste do novo controle edição de colecionador para Mega Drive, e recebi negativações no Youtube, até agora não sei se é pelo fato de ser Tectoy, ou se foi pelo conteúdo mesmo rs...

Sem contar alguns comentários negativos no vídeo também, segue abaixo.

As pessoas reclamam da Tectoy simplesmente pq gostam de reclamar. Minha única crítica a esse controle é a falta de serigrafia com o logo da Tectoy ou Sega. De resto, temos é que aplaudir a iniciativa de uma empresa que, em pleno 2018, tenta vender um joystick para Mega Drive. Pessoal não entende que esses produtos não são vendidos para fazer caridade, eles precisam dar lucro, coisa que não deve ser fácil para um controle desses.
 
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itotinaru

Viciado
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SP
Hoje , com o artifício da internet, redes sociais, youtube, fica mais fácil a divulgação de algo.

A Tec toy , naqueles primordios se esforçou e muito para se firmar.
Tentava vários tipos de abordagem para emplacar produtos e marca.

Me lembro que até na novela tieta, apareceu um campeonato de SUPER FUTEBOL do Master System kkkkk
 

Kassal

The Force is with me
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As reclamações ocorrem pois Esse controle do mega é refugo.

Ele não é completo pois falta o botão Mode.
Ai se vc jogar algum jogo que é incompatível com ele tem que mudar o controle.
 
A Tec Toy foi uma guerreira e visionária no seu tempo áureo.
Infelizmente, parece que ela não consegue sair do seu sucesso do passado.
Fica apegada ao Master System e Mega Drive, não sei até que ponto as vendas desses consoles hoje em dia dão alguma lucratividade para a empresa.
Lançou até o Atari Flashback que, pelo mesmo preço, você acha no mercado livre a galera vendendo o modelo importado que, além de vir com controles sem fios, vem com mais jogos e saída HDMI.
Poderia, sei lá, fazer alguma parceria com a Nintendo para trazer o Switch oficialmente para cá... Enfim, tentar investir em algo realmente inovador.
Recentemente, a única vez que tentou fazer isso foi com o lançamento do Zeebo, que convenhamos, era algo absurdo de ruim e completamente sem perspectiva.