Saraiva pede recuperação judicial citando concorrência de Netflix e Spotify

HelderSR

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Quando eu comprei o Assassins Creed Odyssey foi uma baita confusão, não compro mais lá, pelo visto a situação negativa está refletindo muito na qualidade dos serviços prestados pela empresa.

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A Livraria Saraiva entrou com pedido de recuperação judicial nesta sexta-feira, 23. A rede de varejo brasileira vende livros, eletrônicos, filmes e músicas, e chegou a citar a concorrência de serviços de streaming no pedido feito à Justiça.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo (via Exame), a Saraiva possui uma dívida de R$ 675 milhões. A empresa está em crise desde o começo do ano, acumulando desde janeiro um prejuízo líquido de R$ 103 milhões, o dobro do prejuízo de 2017.

A empresa começou um processo de enxugamento recentemente, fechando as portas de 19 pontos de venda, incluindo oito lojas da iTown, revendedora de produtos da Apple. Neste processo, 700 funcionários foram demitidos, mas nada disso foi suficiente.

Além disso, a Saraiva também parou de vender eletrônicos recentemente, voltando o foco a livros. "Neste movimento, a Saraiva diminuirá substancialmente a geração de créditos tributários, uma das principais razões de consumo de caixa nos últimos anos", argumentou a empresa.

A Saraiva também alega no pedido de recuperação judicial que serviços de streaming, como Netflix e Spotify - citados nominalmente no documento -, afetaram aquela que já foi a segunda maior fonte de receita da varejista: filmes e música.

Crise no mercado editorial


No mês passado, outra grande rede do setor editorial e de tecnologia e mídia, a Livraria Cultura, também entrou com pedido de recuperação judicial. Só de dívidas bancárias, a empresa teria acumulado R$ 70 milhões, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

A Cultura recebeu R$ 130 milhões para assumir os negócios da francesa Fnac no Brasil, outra rede de vendas de livros e eletrônicos, em 2017. Com o dinheiro, a empresa comprou o site de livros usados Estante Virtual, no mesmo ano. Recentemente, ela fechou todas as lojas da Fnac no país.

Cultura e Saraiva culpam a crise do mercado editorial pelo mau momento. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) afirma que o setor encolheu 21% e perdeu R$ 1,4 bilhão do seu faturamento real só nos últimos 12 meses, segundo o Publishnews.

Porém, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, num estudo realizado com a Nielsen, afirma que o mercado vem se recuperando nos últimos meses e cresceu acima da inflação desde fevereiro de 2017. O que não trouxe boa sorte para Saraiva e Cultura, pelo visto.

Amazon cresce

Em meio a isso tudo, quem cresce é a Amazon. A gigante do e-commerce dos Estados Unidos desembarcou no Brasil em 2012, começando com e-books e depois partindo para livros físicos, quadrinhos e alguns eletrônicos próprios (como o Fire TV Stick e o Kindle) - terreno de Saraiva e Cultura.

Desde 2017, a Amazon vende outros tipos de produtos como intermediária, conectando clientes às lojas vendedoras através do modelo de marketplace. A matriz da empresa, que passou a valer US$ 1 trilhão em setembro, investiu R$ 112 milhões na filial brasileira no ano passado, e, em abril, investiu mais R$ 97,5 milhões.

Há informações de que a Amazon negociou com uma companhia aérea para vender e entregar eletrônicos por conta própria no Brasil, além de ter estudado a compra de um novo depósito, maior que o atual, em São Paulo. A crise editorial parece não afetar a Amazon com o mesmo vigor que afeta Cultura e Saraiva.

Olhar Digital
 
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Marcos

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Mas isso é falta de se preparar pro futuro. Lógico que Spotify, Amazon e Netflix iriam fazer sucesso. Não se preparou? Quebrou...
Os próximos são as tvs a cabo, aguardem...
 
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tric-one

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Alguém dá o chapéu de jumento para quem teve a ideia de focar em livros e parar de vender eletrônicos?! Os brasileiros num geral não têm o hábito de comprar livros. Muitos nem de ler. Se eu tivesse grana pra montar um negócio o último que eu montaria seria livraria. Até bancas de jornal estão fechando a rodo.
 
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Luck Costa

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Vinhedo
Talvez não tenham feito o mapeamento do mercado corretamente. A empresa teria que se adaptar as novas necessidades do mercado, e buscar produtos e serviços que atendessem à demanda atual. Talvez também tenha faltado uma gestão mais enxuta, ou algo assim. Digo isso porque outras gigantes do e-commerce estão melhores.
E voltar a focar em livros aparentemente foi uma roubada. Só faria sentido se o tamanho da empresa fosse BEM menor.
 
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SouzaRJ

Acho que to ficando velho
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Alguém dá o chapéu de jumento para quem teve a ideia de focar em livros e parar de vender eletrônicos?! Os brasileiros num geral não têm o hábito de comprar livros. Muitos nem de ler. Se eu tivesse grana pra montar um negócio o último que eu montaria seria livraria. Até bancas de jornal estão fechando a rodo.
Triste, mas infelizmente é verdade.

As livrarias são um ramo que aos decorrer dos anos estão morrendo como as locadoras ou mesmo lojas que vendiam unicamente CD's e DVD' s.

O mercado é selvagem, quem não se atualiza, fica para trás.

Eu mesmo que gosto de ler, tenho um kindle e não abro mão dele.

Praticidade, economia de espaço e de dinheiro para comprar meus livros.

Só pego livro físico quando tropeço com ele alguma loja, e se estiver com um preço camarada, se não eu vou de ebook sem pensar duas vezes.


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jackzsul EX

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Por um lado as editoras cobram caro por seus livros alegando que poucos lêem, então o custo é alto. Por outro é verdade que poucos tem o hábito de ler, mas com o custo alto, tbm não se atrai novos consumidores. Se por um lado os eletrônicos vendem bem, por outro a carga tributária é alta e gera muito problema.

A Saraiva hoje enfrenta tudo isso por falta (também) de uma reestruturação melhor. As lojas de brinquedos que se cuidem, pois se não fosse aquela merda de lei que conseguiram aprovar, já teriam falido. As TVs a Cabo, acredito que são os próximos da lista se não comprarem uma lei como as lojas de brinquedo fizeram. Eu mesmo não tenho mais TV a cabo há mais de um ano. Só Netflix (mas eu sempre assisti pouco a TV) e meus seriados que pego por aí.

É o futuro chegando e quem não se adaptar vai fechar. lojas de games que se cuidem....
 
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Morts

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Cotia
TV a cabo é a proxima da lista ai...eu assinava os pacotes completos e hj vivo só de netflix, youtube e IPTV no xone...TV a cabo só quando eu ficar rico e olhe lá.
 

Kassal

The Force is with me
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Por um lado as editoras cobram caro por seus livros alegando que poucos lêem, então o custo é alto. Por outro é verdade que poucos tem o hábito de ler, mas com o custo alto, tbm não se atrai novos consumidores. Se por um lado os eletrônicos vendem bem, por outro a carga tributária é alta e gera muito problema.

A Saraiva hoje enfrenta tudo isso por falta (também) de uma reestruturação melhor. As lojas de brinquedos que se cuidem, pois se não fosse aquela merda de lei que conseguiram aprovar, já teriam falido. As TVs a Cabo, acredito que são os próximos da lista se não comprarem uma lei como as lojas de brinquedo fizeram. Eu mesmo não tenho mais TV a cabo há mais de um ano. Só Netflix (mas eu sempre assisti pouco a TV) e meus seriados que pego por aí.

É o futuro chegando e quem não se adaptar vai fechar. lojas de games que se cuidem....
Que lei de brinquedos é essa?
 

jackzsul EX

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Que lei de brinquedos é essa?
2002/2004 - por aí. Nessa época meu cunhado tinha uma franquia de loja brinquedos Ri Happy. As vendas estavam muito ruins devido a entrada de brinquedos no mercado paralelo (brinquedos de qualidade similar e não paraguay) com o preço lá embaixo. Um boneco Max Steel comprado no BR na Matel custava cerca de R$ 6,00 (genérico) e era vendido por R$30-45. A margem era alta como vc pode ver.

O mesmo brinquedo vendido por outras lojas sem bandeira e com a mesma qualidade custavam ao consumidor entre R$18-25. Como eles não queriam baixar sua margem de lucro, se juntaram com outros nomes da indústria e "compraram" uma lei que taxava excessivamente esses brinquedos que entravam no mercado, adquirido por outros lojistas. tinha algo a ver com a classificação tributária desses produtos.

Mais ou menos o que as TVs por assinatura estão tentando fazer hoje com os serviços de streaming. Criam impostos (como em SP e RJ), taxas e no final, o preço que era o diferencial, não faz mais diferença.

Qualquer semelhança com a lei da cadeirinha, dos extintores de incêndio nos carros, dos simuladores de direção nas auto-escolas e da mudança do padrão das tomadas é mera coincidência. XD.
 
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É o efeito Amazon, eles trabalham com lucros mínimos, logo conseguem fazer promoções que as demais não conseguem
Inclusive lembro que a Saraiva tentou boicotar a Amazon, ameaçando não vender de editoras que davam grandes descontos a Amazon. Em 2015 tentaram passar o tabelamento do preço do livro e estão voltando a discutir isso agora, o ministro da casa civil andou comentando.
 

Johannes

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Acho que não tem muito a ver com "brasileiro não gosta de livros", mas sim má administração mesmo. Não se preparou para enfrentar a concorrência pesada que chegaria mais cedo ou mais tarde com a Amazon, por exemplo, e foi querer entrar em ramos que ela nunca teria força como e-books e streaming. Concorrer com Netflix só pode ser piada. Quebrou a cara. Não sei se alguém aqui lembra, mas a Saraiva chegou a ter um ebook reader próprio pra disputar com o Kindle. A Cultura era outra. Dá até pena.

Fora isso, muita gente que comprava pelo site já estava reclamando de problemas com entrega.

E mesmo que brasileiro médio não leia, a Saraiva ainda ganha muito dinheiro com livros técnicos que só ela publica, ou seja, não soube aproveitar a própria vantagem que sempre teve. Da última vez que fui em uma Saraiva procurar livros de Direito deu até raiva de ver os preços consideravelmente mais caros que no site da loja. Mesmo que tenha frete e custos de loja, ainda assim não justificava aqueles preços. Não voltei mais.